Quem?

“Quem?”
É assim que o povo daqui pergunta quem está do outro lado da linha ao telefone…
“Quem, o quê, meu amigo? Quem fala? Quem sou eu?” Como se uma pergunta dessa tivesse uma resposta simples, como se cada pessoa fosse uma garrafa de refrigerante one-way, facilmente rotulável, numa prateleira do supermercado da vida. Enfim.
Sou rabugento, carinhoso, paciente. Impaciente, intolerante com gente intolerante. Apaixonado por animais.
Irritantemente organizado, mas às vezes desencano.  Nostálgico até demais, desde sempre.
Filho, pai e marido. Tentando melhorar a cada dia em cada uma dessas atividades.
Um paulistano na província.
Radialista, pretenso escritor, pretenso ator, pretenso desenhista. Enfim, um pretensioso.
E não negocio com terroristas.